Vacina Calixcoca: Como funciona a vacina anticocaína

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Você já ouviu falar na vacina Calixcoca? O Brasil é o segundo país do mundo que mais consome cocaína, de acordo com Relatório Nacional de Álcool e Drogas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quase 3 milhões consumiram a droga e seus derivados em 2022! Por isso, ela promete revolucionar o combate a esse tipo de droga.

Mas, vamos com calma! Vacina anticocaína? Isso é possível? Como ela funciona? No artigo de hoje falaremos mais a respeito dessa vacina. Ele foi desenvolvida aqui no Brasil e está avançando rapidamente.

Afinal de contas, o combate às drogas é um dos principais desafios enfrentados por governos e pela população em geral. Em âmbito mundial, apenas os EUA consomem mais drogas do que o Brasil.

Até hoje, os tratamentos para a dependência envolveram abordagens voltadas para o psicológico dos viciados. Mas pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão à frente de um projeto inovador. Dito isso, vamos saber mais sobre a vacina Calixcoca?

O que é a vacina Calixcoca?

Para entendermos como funciona essa vacina, precisamos compreender como as drogas atuam no organismo das pessoas. Falando especificamente sobre cocaína e crack (derivado da cocaína), essas drogas funcionam como estimulantes do sistema nervoso central.

A cocaína é extraída da planta da coca e consiste em um pó, inalado ou aplicado diretamente na veia pelos usuários da droga. O efeito é imediato, pois a droga atinge o sistema nervoso, criando uma sensação de euforia e excitação na pessoa.

Ela aumenta a sensação de prazer naquele momento, por isso causa dependência, sendo uma das drogas mais perigosas do mundo. Após o efeito inicial passar, ela causa ansiedade, paranoia e depressão extrema, que pode levar até mesmo ao suicídio.

Até hoje não existe um tratamento medicamentoso para o vício em si. Os remédios aplicados são para tratar os efeitos da droga, mencionados logo acima. Porém, para tratar o vício, o tratamento é focado na psicologia e leva muito em conta a força de vontade da pessoa em permanecer sóbria.

Mas, pelo visto, isso está mudando. Um grupo de pesquisadores da UFMG desenvolveu a vacina Calixcoca. Primordialmente, essa vacina é um tratamento para dependentes que estão em abstinência, ajudando a evitar as constantes recaídas.

Como funciona a vacina Calixcoca?

A vacina Calixcoca é composta por ingredientes fabricados em laboratório. Ela visa bloquear a sensação de prazer causada pela cocaína e seus derivados.

A vacina atua no “sistema de recompensa” do cérebro. Quando uma pessoa usa cocaína, ele é ativado. Assim, o cérebro sempre vai pedir mais drogas, justamente por causa da sensação de prazer proporcionada por ela.

Dessa forma, a vacina Calixcoca impede que a droga alcance essa região do cérebro. Ou seja, na prática, o usuário não sentirá mais prazer ao usar a droga. Portanto, o cérebro não vai “pedir mais”.

Vale destacar que essa vacina é indicada para dependentes que já estão em tratamento, contribuindo para que não haja recaídas. Isso porque ela “quebra” o ciclo vicioso pelo qual a maioria dos dependentes passa. O ciclo consiste em: usar a droga até chegar ao fundo do poço – buscar tratamento – ficar em abstinência – ter uma recaída – voltar a usar a droga diariamente.

Quebrando esse ciclo por meio da vacina, as chances de recaída são muito menores! Mas a vacina Calixcoca não substitui as abordagens psicológicas, que precisam agir em conjunto com ela.

Primeiros testes e resultados promissores

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A vacina Calixcoca é muito promissora e os testes com animais já começaram. Ao que tudo indica, o Brasil pode ser o primeiro país do mundo a ter uma vacina anticocaína.

Nos EUA, maior consumidor da droga, por exemplo, existem estudos semelhantes. Mas estes não prosseguiram por motivos diversos. Por aqui, os ensaios clínicos em animais trouxeram grandes expectativas.

Os pesquisadores identificaram a produção de anticorpos contra a cocaína e seus derivados e pouquíssimos efeitos colaterais. Outro fato super importante foi o de que a vacina protegeu os fetos de ratos da cocaína.

Se esse cenário se repetir nos testes com humanos, a vacina Calixcoca ajudaria no tratamento de mulheres grávidas dependentes da droga.

Em toda a América Latina, esse é o único projeto que contempla uma vacina anticocaína. Os testes em humanos ainda não começaram. Se daqui há alguns anos, a vacina chegar ao mercado, sendo aprovada pela Anvisa, ela também não deve ser muito cara.

Isso porque todos os compostos usados na vacina são fabricados em laboratório, o que reduz os custos. Em outras palavras, a vacina não usa compostos biológicos, que requerem mais cuidados em relação ao transporte e armazenamento, aumento os custos do produto final.

A vacina seria uma coadjuvante

O coordenador do projeto da vacina Calixcoca é o psiquiatra Frederico Garcia. Em algumas entrevistas para veículos de imprensa, ele destacou que a vacina atuaria como coadjuvante no tratamento de dependentes químicos.

Ela ajudaria, por exemplo, os dependentes em tratamento a evitar as recaídas logo após a saída das clínicas de reabilitação. Nesse sentido, a vacina atuaria junto com estratégias multidisciplinares e não seria aplicada em todos os dependentes.

O público-alvo seria definido após os testes em humanos, mas o princípio geral é: aplicar a vacina em dependentes já em tratamento e que desejam continuar em abstinência.

Vencedora do Prêmio Euro Inovação em Saúde

No final de 2023, a vacina Calixcoca recebeu o Prêmio Euro Inovação em Saúde. Isso garantiu uma premiação de 500 mil euros, mas, sobretudo, visibilidade ao projeto!

Médicos de 17 países votaram nessa vacina, que superou outros 11 finalistas para alcançar o prêmio, organizado pela Eurofarma.

Esse importante prêmio internacional pode ajudar no avanço do projeto. Porém, ainda há desafios. Segundo o coordenador do projeto, a UFMG está encontrando dificuldades principalmente em relação ao financiamento do projeto.

Por isso, a equipe estaria perdendo profissionais para o setor privado. A falta de estrutura oferecida pelos laboratórios brasileiros também é outro empecilho. Atualmente, os governos federal e estadual de Minas Gerais financiam o projeto, que conta ainda com parcerias privadas.

Já foram investidos mais de R$1,3 milhão nos estudos. Mas, para avançar ainda mais, pesquisadores aguardam um aporte de R$10 milhões, prometido pelo Governo de Minas Gerais em 2023.

Com esse aporte, a vacina Calixcoca poderá ser registrada para dar início aos testes clínicos. Existem outras questões envolvidas. Mas se tudo correr bem, estima-se que essa vacina esteja no mercado daqui há 3 ou 4 anos.

Nesse sentido, até agora, mais de 3 mil pessoas já entraram em contato com a equipe de pesquisadores para serem voluntários nos ensaios clínicos!

Um exemplo de empreendedorismo

A vacina Calixcoca é um ótimo exemplo de empreendedorismo na área médica. E o melhor: o projeto está sendo desenvolvido por uma universidade federal! Podemos imaginar a dificuldade encontrada pelos pesquisadores, principalmente em relação ao investimento escasso e falta de estrutura.

Mesmo assim, o projeto está avançando, o que mostra a determinação dos pesquisadores, que também podem ser chamados de empreendedores!

Para você ter uma ideia do tamanho desse projeto, não existe algo parecido no restante do mundo. E nem mesmo nos EUA, país que mais possui dependentes de cocaína e crack.

Assim, a vacina Calixcoca já é um marco para a ciência brasileira. Ela pode ajudar milhões de pessoas no mundo todo em um futuro próximo. Além do empreendedorismo, temos aqui uma questão humanitária e de saúde pública! Então, vamos torcer para que o projeto consiga os investimentos necessários e para que, em breve, a vacina chegue ao mercado.

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